This website uses features that your browser doesn't support. Please upgrade to a recent version of your browser.
SWI swissinfo.ch

Luigi Jorio, swissinfo.ch

Media
  • Afp Or Licensors
  •  | Anadolu Agency
  •  | Andreas Vieli, Università di Zurigo
  •  | Birgit Bergmann
  •  | ICIMOD/Samjwal Bajarcharya
  •  | ISTA
  •  | Jason Klimatsas
  •  | Keystone
  •  | Keystone / Anthony Anex
  •  | Keystone / Gian Ehrenzeller
  •  | Keystone / Mayk Wendt
  •  | Matthias Huss
  •  | MÍ (sinistra) e Kieran Baxter / islenskirjoklar.is (destra)
  •  | SWI swissinfo.ch
  •  | Swissinfo
  •  | swissinfo.ch
  •  | The Associated Press
  •  | Thorvardur Arnason
  •  | WSL

Geleiras do mundo

Derretimento local e impactos globais

Por Luigi Jorio, SWI swissinfo.ch

Dos Alpes às regiões polares: as geleiras no planeta estão recuando a uma taxa cada vez maior. Entre 2000 e 2023, elas perderam uma média de 273 bilhões de toneladas de gelo por ano, o equivalente a 30 anos de consumo humano de água.



As regiões mais vulneráveis são aquelas localizadas perto do equador ou com muitas geleiras pequenas de acordo com um estudo da Escola Politécnica Federal de Zurique (ETH, na sigla em português): os Alpes, o Cáucaso, as Montanhas Rochosas da América do Norte, bem como partes dos Andes e das cadeias de montanhas da África.



As reservas de gelo do planeta estão diminuindo devido ao aquecimento global causado pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa. Temperaturas mais altas e mudanças nos padrões de precipitação, com mais chuva e menos neve, estão acelerando o derretimento do gelo.



As consequências não se limitam às mudanças na paisagem e nos ecossistemas locais. O recuo das geleiras contribui para o aumento do nível do mar e ameaça o abastecimento de água de centenas de milhões de pessoas em todo o mundo.





O Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras (WGMS) coleta e analisa dados sobre o balanço de massa, volume, área e comprimento das geleiras do mundo. Ele foi criado em 1986 e está sediado na Universidade de Zurique, na Suíça. O WGMS dispõe de uma rede de correspondentes nacionais em mais de 40 países.



Durante o Ano Internacional para a Conservação das Geleiras 2025, conversamos como alguns desses correspondentes para saber mais sobre a situação das geleiras na sua região, as consequências do derretimento de gelo e as estratégias de adaptação.



0:00/0:00

Mudança climática nos Alpes também afeta geleiras nos picos mais altos





As mudanças climáticas continuam afetando as geleiras alpinas. Até 2025, seu volume terá encolhido 3% em comparação com o ano anterior. Essa é a última avaliação da Rede Suíça de Monitoramento de Geleiras (GLAMOS) e da Academia Suíça de Ciências Naturais. É o maior recuo após os de 2003, 2022 e 2023.



“Este ano acabou sendo um pouco menos extremo do que temíamos”, disse Matthias Huss, diretor da GLAMOS. no entanto, o que me impressiona e preocupa é que estamos “nos acostumando” com esses anos muito negativos. É um novo normal, mas que não deveria existir”.



Os Alpes estão se aquecendo mais rápido do que a média global e as geleiras suíças perderam um quarto de seu volume desde 2015, aponta o GLAMOS. Entre 2016 e 2022, cem geleiras – de um total de cerca de 1.400 geleiras – desapareceram completamente no território helvético.

Se si riuscirà a limitare il riscaldamento globale a 1,5 °C, come stabilito dall’Accordo di Parigi sul clima, nel 2100 sopravvivranno solo circa 430 dei 3'000 ghiacciai attuali dell’arco alpino, secondo lo studio dell'ETH.



I agree with being shown Datawrapper graphs.

Evolução do comprimento da geleira do Ródano, na Suíça, entre 2008 e 2025. (Matthias Huss)

O derretimento das geleiras libera bactérias e vírus amplamente desconhecidos no meio ambiente. Uma equipe de pesquisa está estudando-os pela primeira vez nas geleiras suíças, conforme explicado neste vídeo:

0:00/0:00

Geleiras derretem e solo da Islândia sobe um centímetro por ano

A Islândia é a terra do fogo e do gelo. Mas, embora os vulcões continuem a entrar em erupção e a moldar a paisagem da ilha, o território coberto por gelo está ficando cada vez menor. As geleiras estão derretendo a uma velocidade tal que as gerações futuras poderão se perguntar de onde a Islândia (do islandês Ísland, terra congelada) tirou seu nome.



A nação insular no norte da Europa perdeu 70 de suas 400 geleirasLink externo. A área total de gelo encolheu cerca de um décimo desde 2000, e a espessura das geleiras diminuiu, em média, um metro por ano, diz Hrafnhildur Hannesdóttir, do Escritório Meteorológico da Islândia (IMO, na sigla em inglês), por e-mail.



“A taxa de perda de massa das geleiras está entre as mais altas do mundo”, ressalta Hannesdóttir, representante na Islândia do Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras (WGMS), uma organização internacional sediada na Suíça.



As grandes geleiras da Islândia, como Mýrdalsjökull, Langjökull e Vatnajökull (as maiores da Europa em volume) estão recuando várias centenas de metros a cada ano. Se as temperaturas continuarem a subir, a Islândia estará sem geloLink externo em 200 anos.





Evolução da geleira Hoffellsjökull na Islândia de 1989 a 2020. LMÍ (sinistra) e Kieran Baxter / islenskirjoklar.is (destra)



Ásia Central, fim da anomalia da geleira que resiste às mudanças climáticas?

A Ásia Central, com picos que ultrapassam sete mil metros, abriga algumas das maiores extensões de gelo do planeta. A região, que inclui as cadeias montanhosas de Pamir e Hindu Kush, é conhecida como o “terceiro polo” porque, depois do Ártico e da Antártica, concentra a terceira maior reserva de gelo do mundo.



Ao contrário das calotas polares, algumas geleiras do Pamir, no Tajiquistão, pareciam resistentes ao aumento das temperaturas globais. Nos últimos trinta anos, a ex-república soviética perdeuLink externo mais de mil de suas cerca de 14 mil geleiras, mas parte delas permaneceu estável ou até apresentou crescimento.



Essa exceção, conhecida como “anomalia Pamir-Karakorum”, no entanto, pode ter chegado ao fim. “Eram as únicas geleiras do mundo em boas condições, e algumas chegaram a aumentar sua massa desde o início dos anos 2000”, afirmou Francesca Pellicciotti, glaciologista do Instituto Austríaco de Ciência e Tecnologia (ISTA).



Essas geleiras são um recurso hídrico essencial para a população e para a agricultura da região, sobretudo durante os meses de verão, quando a precipitação é escassa. Elas fornecem água doce para cerca de 80 milhões de pessoas no Cazaquistão, Quirguistão, Uzbequistão, Tajiquistão e Turcomenistão.



As montanhas do Pamir situam-se na junção das cadeias montanhosas do Tien Shan (a norte), do Karakorum (a sul) e do Hindu Kush (a sudoeste). (WSL)

Nepal e os Himalaias, a agonia das geleiras no teto do mundo

Com 8.848 metros, o Monte Everest é o cume mais alto do planeta. Mas sua altitude não protege a montanha dos efeitos do aquecimento global. A espessura da geleira South Col, a mais alta do Everest, diminuiu mais de 54 metros desde o final da década de 1990.



“Estudos recentes mostram que as geleiras do Himalaia estão derretendo num ritmo acelerado”, conta Sharad Joshi, especialista em criosfera no Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha (ICIMOD).



A geleira Yala, no Vale Langtang, está entre as mais estudadas do Nepal. Sua área diminuiu em mais de um terço entre 1974 e 2021Link externo, e a geleira pode desaparecer nos próximos 20 a 25 anos. “Toda vez que vou à geleira, sinto uma profunda tristeza ao ver sua enorme perda”, diz Joshi, correspondente nacional do WGMS no Nepal.





A diminuição das reservas de água não só prejudica a agricultura e a produção de energia hidrelétrica, mas também altera os ecossistemas locais, colocando em risco as espécies adaptadas a ambientes frios

Sharad Joshi, ICIMOD

O recuo das geleiras leva à formação dos chamados "lagos proglaciais", bacias delimitadas por represas naturais feitas de gelo ou detritos de rocha. Um deslizamento de terra ou terremoto pode causar o colapso dessas barragens, resultando em inundações e efeitos devastadores em vilarejos, estradas e outras infraestruturas.

Os últimos anos das últimas geleiras no leste da África

A África é famosa por suas florestas tropicais, savanas e desertos. Esses ecossistemas cobrem a maior parte do território. Mas o continente também abriga áreas permanentemente cobertas por gelo.



As geleiras da África Oriental estão localizadas perto do equador, em altitudes superiores a cinco mil metros. As maiores encontram-se no Monte Kilimanjaro, na Tanzânia, o pico mais alto do continente. Outras estão no Monte Quênia e, em Uganda, na cadeia de montanhas Rwenzori.



Assim como ocorre em outras partes do mundo, as geleiras africanas estão derretendo em razão da mudança climática, afetando as populações que vivem aos pés das montanhas e o turismo local.



“As geleiras africanas perderam mais de 90% de sua área de superfície desde 1900”, afirma Rainer Prinz, glaciologista da Universidade de Innsbruck. Prinz é correspondente no Quênia, em Uganda e na Tanzânia do Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras (WGMS) e autor de um dos estudos mais recentes e abrangentes sobre as geleiras africanas.



Em pouco mais de um século, a área coberta por geleiras na África diminuiu de 19,5 para 1,4 quilômetros quadrados, segundo o estudo. Para efeito de comparação, o gelo remanescente cobriria menos da metade da área do Central Park, em Nova York.



“Sem mudanças significativas nas condições climáticas locais, espera-se que as geleiras da África Oriental desapareçam quase totalmente até a metade do século”, prevê Prinz.

Geleiras da América do Sul em risco de extinção

Para os Kogui, uma comunidade indígena do norte da Colômbia, a cadeia montanhosa da Sierra Nevada de Santa Marta é o centro do Universo. Seus rios e florestas fazem parte de um ser vivo, onde a montanha é um corpo e a geleira é seu cérebro. O derretimento das geleiras, segundo eles, é um sinal de desequilíbrio entre o ser humano e a natureza.



Das 14 geleiras tropicais que existiam na Colômbia no início do século 20, hoje restam apenas seis. A última a desaparecer completamente, a geleira Conejeras, sumiu há pouco mais de um ano.



“Perdemos 30% da superfície glacial nos últimos doze anos”, diz Jorge Luis Ceballos Liévano, do Instituto Nacional de Hidrologia, Meteorologia e Estudos Ambientais da Colômbia (IDEAM). Ceballos Liévano é o correspondente nacional na Colômbia do Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras.



Colômbia e Equador estão entre os poucos países do mundo que abrigam geleiras tropicais. Ao contrário das geleiras alpinas, as tropicais dependem da estação das chuvas. Essas geleiras são particularmente vulneráveis às https://cdn-b-i.pageflow.io/main/image_files/processed_attachments/000/612/481/v1/large/t7jicgeg.webpmudanças climáticas.



O Páramo é um ecossistema típico da Colômbia e de outros países da América Latina. Tem a capacidade de armazenar a água do degelo das geleiras e liberá-la nos meses secos.



A gestão sustentável dos recursos hídricos e a conservação de ecossistemas montanhosos como o Páramo estão entre as principais estratégias de adaptação ao derretimento das geleiras andinas.